1.9.04
Revista Brasileira de Ciências Sociais - Florestan: Sociologia e consciência social no Brasil: "Somos governados pelos mortos, como diziam os positivistas, ou somos o país do futuro? Oscilamos entre um passado a posteriori considerado como a 'idade de ouro' e um futuro onde nossos sonhos se realizarão? Cada geração parece refundar sua temporalidade e nesse processo precisa demarcar suas diferenças com as perspectivas da geração anterior. Foi assim com os cientificistas e naturalistas que romperam com o romantismo do século XIX; com os modernistas que criticaram os parnasianos e regionalistas do início do século; com os cientistas sociais que recusaram o conhecimento da sociedade brasileira produzido pelos ensaístas. Por que, então, voltar hoje aos anos 50? Porque na década de 50 foram estabelecidas as bases econômicas, políticas e sociais para a modernização do Brasil; foi construída a expectativa de que a aceleração do tempo histórico seria conseguida; foi desenhada a esperança de se alcançar a isonomia entre as culturas, de sermos iguais às nações centrais. Nos anos 50, já foi dito, 'ser distinto' significava ser inferior e estar excluído do banquete civilizatório."
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