17.11.11

Lutar contra a construção da Usina de Belo Monte.


A primeira vez que ouvi falar em construção de barragens no rio Xingu foi em 1988, quando iniciava os estudos de Geografia na USP. Apoiávamos o movimento dos povos indígenas na luta contra os interesses corporativos representados por José Sarney, o presidente da República na ocasião.
O assassinato do líder seringueiro Chico Mendes por fazendeiros no Acre no ano seguinte se abateu sobre nós, alunos e professores da Geo, como uma tragédia e uma perda irreparável.
Em 1990 segui até o Pará com minha turma do curso de Amazônia do professor Ariovaldo Umbelino de Oliveira. Fomos testemunhar a "geografia das lutas no campo", o título de uma de suas obras (aliás, Ariovaldo foi professor de geografia do Equipe nos anos 70). A pilhagem da Amazônia ao vivo, foi o que vimos ao longo da rodovia Cuiabá-Santarém.

Protesto
Posseiros protestam contra a ação de grileiros na Amazônia. 1990.

Alternativa? A Universidade pensou outros caminhos para o desenvolvimento sustentável da Amazônia brasileira. O Projeto Floram, foi proposto em 1990 por Aziz Ab' Saber, (ninguém conhece melhor o território brasileiro do que este grande geógrafo). O projeto foi ignorado por todos os governos desde Collor.


Garimpeiros / miners / mineurs
Garimpeiros em Peixoto Azevedo, MT, 1990.


Agora parece que o passado nos espera: a barragem do rio Xingu reaparece na forma de Belo Monte, um fantasma evocado em conjunto pelo governo federal e grandes empreiteiras.
Sou contra a construção de Belo Monte por sustentar os mesmos princípios que assumi 24 anos atrás na Universidade.
Sigo o posicionamento da AGB, ASSOCIAÇÃO DOS GEÓGRAFOS BRASILEIROS, que manifesta seu apoio aos povos indígenas e ribeirinhos da Amazônia e conclama a comunidade geográfica a se juntar à luta contra a construção da Usina de Belo Monte.

Leia o posicionamento da AGB realizado em abril de 2011 no link abaixo.

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